Bem aventurado

Havia um certo homem, um colecionador, um caçador de joias. O jovem explorava as terras ao redor de sua pequena cidade em busca das mais preciosas joias que seus olhos consideravam belas. Do sul ao norte, passava dias e meses longe, mas sempre voltava com a mais linda joia, sempre uma mais bonita que a última. Ele detalhava cada traço de perfeição que o fazia se apaixonar por cada uma, parecia um poeta declamando. Porém, logo as esquecia e partia em busca da próxima conquista.

O colecionador não confiava a homem algum suas posses, de tão belas que eram. Então, tomou para si uma montanha, onde guardou suas joias, e pediu gentilmente que o céu as protegesse, ao que este, relutantemente, respondeu que sim.

No escuro da noite, ele confiou as joias à solitária lua e, na clareza do dia, ao temeroso sol. Era lindo; o céu brincava com a montanha, que reluzia em cores aquareladas por todos os ângulos, iluminando metade das cidades ao redor. No primeiro dia, os aldeões juravam que era um apocalipse, o fim de tudo; no segundo, estranharam as luzes; no terceiro, passaram a considerar aquelas luzes como parte do céu. Se alguém perguntasse, diriam que estavam lá desde que nasceram.

O pai do jovem pediu que ele parasse com a busca pelas joias, temendo que a inconformidade do filho o levasse à ruína. O filho também temia, de certo modo, mas não; o jovem não parou e, a cada vez, trazia mais joias até que o sol sumiu, provavelmente se escondeu do que virou a ambição do homem ou só foi consumido por ela, e a noite deixou de existir, consumida pela luz que a montanha carregava, deixando a lua, que se escondia atrás das montanhas baixas, sozinha.

Aterrorizado, o jovem perguntou ao pai o que deveria fazer. O pai o perguntou se ele não poderia abrir mão de tudo que conquistou. Rapidamente, ele negou e disse em prantos que assim ficaria sem nada. Sabiamente, o pai o orientou a buscar uma joia especial, afirmando que poderia ser a única salvação. Ele descreveu as características da joia, sua cor e onde poderia ser encontrada, mas deixou claro que não seria fácil. Advertiu que o filho iria cair, que enfrentaria frustrações e que, em algum momento, pensaria em desistir, mas pediu a ele que trouxesse a joia para casa.

O menino partiu e passou um dia, duas semanas, dois meses e, depois, um ano. Mas, ao voltar, estava chorando. Ele se aproximou do pai e contou que caiu, que se frustrou inúmeras vezes e que desistiu e voltou três vezes. Mas, levantando a mão, exibiu a mais linda pedra que tinha. Sem demora, despediu-se do pai, abraçou a todos que conhecia e foi se encontrar com a lua. Disse a ela: “Fique com todas as joias para você, use-as como desejar.”

A lua, intrigada, perguntou se ele não se entristeceria por perder todas aquelas preciosidades. O homem, sorrindo, respondeu que encontrou seu maior tesouro. Intrigada, a lua perguntou o que seria, o que o fez deixar suas maiores conquistas, o que seria tão belo e tão bom. E ele respondeu: “Encontrei o tesouro que foi escondido no campo.”

Depois disso, a lua deixou o homem, que agarrou as pedras como um véu e se vestiu de estrelas. Nunca mais se soube do homem.

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sou natanael

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Sou escritor e apaixonado por transformar ideias e sentimentos em palavras. Neste espaço, compartilho textos que exploram emoções, conflitos e histórias do cotidiano de forma simples e intensa. Aqui, a escrita é um convite para sentir, refletir e se conectar.

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