Crescemos em uma sociedade onde ser bom é considerado moral e ético, onde a prática e o conceito de caridade são abraçados por boa parte da população. Os valores cristãos, como misericórdia e irmandade, podem ser vistos em diversos grupos, o que pode nos remeter ao cumprimento da mensagem de 2 Coríntios 5:20:
“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus.”
Ora, se somos representantes da cultura dos céus na terra, não é bom que os valores cristãos sejam normais em nossos meios. Porém, se chegarmos a qualquer um desses grupos ou à grande maioria, ao perguntarmos o porquê de eles praticarem essa obra ou agirem e se posicionarem de tal maneira, poderão responder: “porque temos que ser assim” ou “porque é nosso dever”, ou até associar a boa obra a Deus, mas desvirtuando-a completamente da cruz, com a afirmação: “É verdade isso, pois acredito que Deus mandou, mas não acredito no Deus da igreja.” Visto por esse ponto, essa boa cultura é realmente um bom fruto do evangelho.
Para trabalharmos nessa resposta, faz-se necessário entendermos qual é a raiz de nossas ações e perguntarmos se, sem essa raiz, uma vida voltada a esses princípios seria fundamental. Em Miqueias 6:8, lemos: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus.”
Mateus 5:3–12
“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos”
Em desvio a isso, Friedrich Schleiermacher declara: “Quando se tenta separar Cristo da cruz, se está negligenciando a essência do evangelho; assim, a sociedade que ignora o evangelho ignora a verdadeira esperança.”
Portanto, a forma como o mundo exerce o que podemos chamar de cultura do Reino, sem associação à cruz e sem os ideais que fundamentam nossas ações e culto, não pode ser vista e interpretada como semelhante ao que a Bíblia nos instrui a seguir. Isso nos leva ao raciocínio de reeducar o corpo de Cristo e aqueles que iniciarão a caminhada de fé. Precisamos mudar nossa visão sobre o porquê servimos, por que praticamos justiça e misericórdia e por que vivemos em união, evitando repetir e trazer para a fé estruturas e concepções vazias.

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