A Bíblia é uma carta fiel do que Deus quer retratar e nos dizer sobre Si, e hoje podemos ter a certeza de que Deus não se mostra a nós como algo complexo ou de difícil entendimento, nem tampouco como um ser somente hiperbólico, que se revela em nossas vidas somente quando se exige um grande milagre ou descomplicação, nos apresentando o que Paulo irá se referir: “Abba”, pois o mesmo Cristo que salva um endemoniado é de fato o mesmo que ceia e come com os fiéis.
John Stott irá afirmar: “A simplicidade de Deus nos convida a uma fé confiante, pois Ele é acessível em Sua essência e nos encontra em nossas circunstâncias mais comuns.” A questão é que Deus não poderia ser Pai e Amigo se não pudesse ter um relacionamento íntimo com Sua criação, e esse princípio vem desde o Éden, quando Deus descia para conversar com Adão. Assim como também no Egito, quando cuidou de Abraão, e no deserto com os hebreus, quando não permitiu que passassem fome. Em toda a Escritura Sagrada, Deus vem se apresentando a nós não como um ser inalcançável e intocável, como um quadro em um museu, mas como um Pai que senta e ceia em nossa mesa. **N.T. Wright** afirma: “A presença de Deus se revela nas coisas simples da vida, onde o amor, a verdade e a beleza se entrelaçam.” Porém, mesmo com essas afirmações, ainda nos resta abraçar esse “Deus café com leite” e entender o que isso impacta em nosso relacionamento com o Senhor.
O que a bíblia irá nos mostrar é que intimidade e proximidade não são uma extensão da vida e fé, mas se tratam da própria. Deixando assim claro que, para podermos entender o Deus que é Mestre, precisamos entender o Deus Pai, também nos guiando a um lugar de bons filhos, como em João 14:13-14, onde Jesus afirma: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” Ou em João 17:22-23, que está escrito: “Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste e os amaste como igualmente me amaste.” Acredito que isso não deve pôr no nosso coração uma conduta de pedinte ou soberba, mas que entendamos a proximidade e a simplicidade como Deus se apresenta a nós.
Gostaria de finalizar esse texto com o pensamento que me propôs a escrevê-lo e que A.W. Tozer irá expressar da seguinte forma: “A falta de intimidade com Deus não apenas limita nossa experiência espiritual, mas também transforma nossa adoração em ritual vazio, desprovido de vida.” Creio que, para produzirmos uma adoração genuína, Deus não pode se limitar apenas ao púlpito e à leitura matinal, mas à forma como tratamos uns aos outros, à forma como comemos e nos expressamos. E para isso ser feito, precisamos tirar Deus da alta intelectualidade de ser complexo.

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