Ainda é possível ver muita dificuldade na inclusão dentro de nossas igrejas, e pensando nisso e no ímpeto de provocar reflexão, e de ouvirmos alguém pertencente a essa comunidade, chamei para entrevistar Paula Maria Markewicz, uma mulher surda, membra da comunidade batista vida nova que reside em Jaraguá do Sul, estado de Santa Catarina, essa conversa está sendo intermediada pelo intérprete Cris, a qual agradeço a disponibilidade para essa ação.
Podería nos contar um pouco sobre você?
Então sou Paula Maria Markewiczki. Sou de origem alemã e polonesa. Então, estamos aqui no Brasil, certo? Eu sou professora, mãe de duas crianças surdas, toda a minha família é surda, meus dois filhos são surdos, eu sou formado em administração e também em letras libras. Tenho pós em estratégias de gestão financeira e também em neuropsicopedagogia. Atualmente, trabalho em dois empregos: trabalho na internet com cursos a distância e também em um residencial, faço avaliações pedagógicas em escolas, acompanhando o progresso e a alfabetização de crianças surdas.
Sobre acessibilidade, por exemplo, aqui na igreja, muitos anos atrás, lembro que uma vez Cris não estava aqui, e uma amiga minha me encontrou para vir. O nome dela era Suzy. Ela era ouvinte e sabia um pouco de língua de sinais. Hoje ela já é intérprete. Ela me chamou para vir aqui à igreja. As pessoas não prestavam atenção. Eu me sinto um pouco despreocupado. Isso foi mais ou menos em 2008. Então eu não me senti bem, não me senti acolhida, não havia comunicação. Eu tinha minha amiga que estava fazendo a interpretação e depois ela saiu, mas não havia troca, nenhum convite. Depois Cris se mudou para nossa cidade e também me encontrou novamente. E então eu me lembrei: “Oh, eu lembro dessa igreja, eu já estive aqui uma vez.” Parecia que algo estava insistindo para que eu viesse aqui, certo? Isso foi mais ou menos em 2011, mais ou menos. Depois, o bebê da Cris nasceu, e então, depois de dois meses, ela disse que estava grávida, enfim. Então, em 2011, eu vim aqui novamente, Cris interpretava, mas a comunidade, o pastor, ninguém prestou atenção. Havia outras pessoas surdas, havia duas pessoas surdas aqui na comunidade, Fran que vinha também, . Queríamos conversar, mas éramos apenas os intérpretes e os surdos. No final, estávamos juntos. Não havia diálogo com a comunidade. Essa dificuldade, na minha experiência, levou muito tempo para ser aberta, expandida. Sentimos essa limitação porque eu queria ser aceita. Eu também queria andar com Jesus e ser aceito pela comunidade. Mas eu me senti invisível dentro da comunidade. Mesmo estando aqui, eu me sinto invisível. Então eu queria compartilhar, ter conselhos, e depender da interpretação do tempo todo. E isso me deixou um pouco angustiada. Mas eu participei, eu queria aprender. A Nova Vida me ensinou muitas coisas, mudou muitas coisas. A questão da doença, algumas coisas, às vezes, por exemplo, se o intérprete estava doente, ou a criança estava doente, então não havia como eu vir à igreja, porque havia apenas um intérprete. Então, no meu segundo filho, eu tive que me afastar um pouco e refletir sobre como os crentes podem acolher a comunidade surda. Como Jesus acolhe, como Jesus é uma pessoa acolhedora. Ele acolheu os mendigos, os surdos, os cegos, as pessoas com doenças. Ele acolheu a todos. Jesus disse que “amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo”. Então, esse foi um versículo que me tocou; não importava se eu tinha uma deficiência ou não, mas eu queria sentir esse amor. E então, com o tempo, eu estava orando a Deus e pedindo a Deus para que outra pessoa viesse aqui à igreja para apoiar a Tradução Cristã, enfim. Foi aí que conheci a Dani, intérprete, no ICOM. Nos conhecemos virtualmente por quase um ano. Minha filha era autista e ela sempre interpretava no ICOM. Conheci o irmão dela que morava aqui e ele disse: “Ela também mora em Jaraguá.” Eu disse: “Venha nos visitar.” E ela chegou em vir aqui.E então ela morreu conosco por quase um ano na minha casa. E eu disse: “Vamos apoiar a Cris na igreja.” E então as coisas começaram a se abrir, e hoje vemos que há uma nova visão para os surdos. Essa nova visão começou em 2022, quando houve uma mudança de pastor, Pastor Tunala. Assim, percebemos que a visão e a atenção envolvem a inclusão de cursos de Libras. Em 2023, começaremos a ver mais pessoas aprendendo. A família, por exemplo, que fala sobre os legendários, recebeu Adriano, que cuida do ministério com pessoas surdas e especificações as cozinhas missionárias. Antes, não havia apoio da comunidade, certo? Então… eu sei que não é culpa da comunidade, é falta de conhecimento, de busca, de saber quem são as pessoas surdas. Assim, em 2023, com a chegada do Tunala, também veio a Emily. O grupo estava crescendo, apoiando e se fortalecendo. E agora, com esse curso, estamos vendendo tudo isso com muita positividade. Hoje, quando chego, as pessoas me cumpriram, dizem olá, me recebem, olham para mim, sorriem. Não é só o pastor, mas várias pessoas, certo? Ó Laidio, ó Tunala. Esqueci o sinal dos outros pastores, mas eles olharam para mim, me cumpriram, agora sou visível. Às vezes, eles me enviam uma mensagem no WhatsApp, conversam comigo; no antigo pastor, isso não é acontecia, certo? Parece que ninguém se preocupava comigo, eu era invisível. E hoje a secretária envia uma mensagem da igreja, pergunta como estou. Tenho me sentido muito acolhida, recebendo atenção e pertencendo a uma família. Então, agradeço a Deus e espero que isso não aconteça apenas com pessoas surdas, mas que a igreja seja uma igreja inclusiva que aceite diferentes deficiências, porque somos todos irmãos. A igreja precisa ser acolhedora e precisamos seguir o modelo de Jesus.isso não é acontecia, certo? Parece que ninguém se preocupava comigo, eu era invisível. E hoje a secretária envia uma mensagem da igreja, pergunta como estou. Tenho me sentido muito acolhida, recebendo atenção e pertencendo a uma família. Então, agradeço a Deus e espero que isso não aconteça apenas com pessoas surdas, mas que a igreja seja uma igreja inclusiva que aceite diferentes deficiências, porque somos todos irmãos. A igreja precisa ser acolhedora e precisamos seguir o modelo de Jesus.isso não é acontecia, certo? Parece que ninguém se preocupava comigo, eu era invisível. E hoje a secretária envia uma mensagem da igreja, pergunta como estou. Tenho me sentido muito acolhida, recebendo atenção e pertencendo a uma família. Então, agradeço a Deus e espero que isso não aconteça apenas com pessoas surdas, mas que a igreja seja uma igreja inclusiva que aceite diferentes deficiências, porque somos todos irmãos. A igreja precisa ser acolhedora e precisamos seguir o modelo de Jesus.
Agora há o acolhimento para os autistas; uma sala calma foi preparada, um lugar bonito. Isso me emocionou e tem alegrado meu coração, certo? Que podemos ser um modelo, uma referência e cumprir o projeto que Deus estipulou, certo? Assim, essa questão da acessibilidade é isso. Antes, havia apenas um intérprete, não havia revezamento. Então, hoje temos Intérpretes no Kids, Revezamento, Escala; no domingo temos pessoas no Ano Novo, pessoas na Palavra, estudo bíblico, coisas que não existiam antes. Antes, havia o Pastor Cláudio, ele era muito querido e apoiou muito o ministério da comunidade surda. Ele ia às nossas casas, toda quinta-feira, e nunca faltava; ele estava sempre muito presente e realmente arregaçava os mangás. Mas éramos um grupo muito pequeno, apenas aquele grupo, e não abrimos para a igreja. Alguns também acabaram se desviando, então o pastor mudou e houve uma diminuição, e agora estamos avançando de cabeça, e isso é uma vitória. Estamos recuperando esse tempo e Deus tem um novo projeto, uma nova forma de fazer inclusão. Amém.
Além dos projetos que já existem, que são maravilhosos, que são muito bons. O que você acha que, no futuro, pode ajudar a incluir mais pessoas surdas, mais crianças, nos ajudar a receber melhor as pessoas que vêm à igreja?
Acredito que no futuro haverá uma comunicação bilíngue. Acredito que haja mais pessoas sinalizando, onde eu possa ir a um ambiente e as crianças tenham ensino bilíngue, e que no futuro elas também possam ser missionárias, obedecendo à palavra de Deus, tendo materiais adaptados, uma sala visual com imagens, que os adolescentes também pode imprimir, por exemplo, usando tablets, utilizar recursos e materiais visuais, porque às vezes o celular é muito pequeno, mas, com um tablet, eles podem ver esse recurso ou uma TV. E que pode ter essa prática manual de fazer as coisas. Então, talvez, um site em Libras, talvez dentro da igreja, com glossários, aqui com materiais bilíngues, para que tenhamos essa cultura da língua de sinais estabelecidos dentro da igreja. “Qual é o sinal do pastor?” Para que possamos ter, por exemplo, a apresentação desse glossário, a foto do pastor com o sinal do pastor, para que dentro do site incluindo essa questão bilíngue, Que você possa ter um curso para casais, batismo, como aulas em língua de sinais , que esperamos assistir em casa, ter esse material em casa, na nossa língua, e então, quando chegarmos ao presencial, podemos apenas discutir para revisar algum ponto. Então, sonhe com esses materiais acessíveis, que é o que está faltando, e também as questões missionárias. Acredito que os surdos também são capazes de participar de missões e serem uma referência, um modelo a partir daí. Então, esse é um sonho.
Se a senhora pudesse deixar um conselho para as pessoas da sua comunidade ou de outras congregações, para ajudar a entender as pessoas surdas, entender essa proposta, entender esse projeto, entender a sua importância? O que você diria?
O conselho que eu daria, de maneira geral, às pessoas, aos nossos irmãos, crentes em Cristo, seguidores de Jesus, é que tenham essa consciência de aceitar a língua e a comunidade surda, e que não tenham preconceito. Tenham um coração acolhedor. Eu sou uma crente surda, mas sei que é um desafio, então aprenda alguns sinais básicos para saber como receber as pessoas surdas, porque muitas delas estão em casa às vezes. Então, quando elas puderem vir, podemos ter esse modelo.
(frase da intérprete;…E complementando o que Paula disse, eu e Cris também diríamos para ter cuidado com a estrutura, porque o surdo é muito visual. Por exemplo, hoje a questão das luzes é importante, certo? Então, é preciso ter cuidado e respeitar a comunidade surda. Se os surdos são aqueles que têm problemas com luz, por exemplo, que piscam ou vêm diretamente aos olhos, isso atrapalha, porque eles não podem fechar os olhos, não têm. acesso à informação nós. ouvintes, podemos dizer: “Olha, é bonito e tal, mas eu posso fechar os olhos quando quiser e continuar ouvindo.” ser suave, não muito intenso. Já organizamos isso algumas vezes aqui na igreja, mas às vezes deixamos a tela um pouco ofuscada. Porque aquela luz fica nos olhos e acaba não permitindo ver a bolinha que vai e vem. luz que pisca, parece loucura para; nós, não funciona assim. Então, esse seria um conselho: direcionar a luz para um único canto, ou ter uma luz de fundo, não diretamente nos olhos. E então, cada deficiência terá uma característica, certo? Para sermos uma igreja acolhedora, precisamos pensar nesses detalhes.)
Para finalizar, já tomei muito do seu tempo, não queria ocupar muito. Você tem mais alguma coisa que queira acrescentar?
Não, acho que seria isso. Acho que sim.
agradecimento pelo tempo e atenção das irmãs, e finalizo a entrevista.

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sou natanael

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Sou escritor e apaixonado por transformar ideias e sentimentos em palavras. Neste espaço, compartilho textos que exploram emoções, conflitos e histórias do cotidiano de forma simples e intensa. Aqui, a escrita é um convite para sentir, refletir e se conectar.

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