Como habitantes de um “mundo místico”, temos o costume de acrescentar ideias e símbolos alternativos ao meio cristão. Esse mundo acredita em ações com efeitos milagrosos e em objetos que atraem graça e poder, como, por exemplo, colocar uma pena debaixo do travesseiro para ter sono leve, deixar uma vassoura atrás da porta para que a visita vá embora logo, e usar objetos da sorte, como canetas, camisas, meias e outros itens que utilizamos em dias importantes para nos sentirmos seguros em relação aos resultados. Aquela roupa de cor selecionada na festa de fim de ano e outros atos semelhantes têm semelhança com práticas de bruxaria e descrença. Muitas igrejas costumam esconder tais práticas por trás da ideia de ato profético, que, a princípio, é diferente, entretanto, nos deixamos enganar pelo sincretismo religioso e acrescentamos inúmeros ritos em nossos cultos.

O que é um ato profético? Será que realmente devemos comprar uma vassoura para varrer nossos pecados, um quilo de sal para fazer uma estrada e não permitir que a energia ruim passe, ou um tijolinho representando nossa casa própria? Dar sete voltas em uma pessoa para determinar a queda do inimigo? Será que é isso que significam os atos executados pelos profetas bíblicos, vãs repetições (Mateus 6:7)? Quantos de nós têm aquele versículo único que repetimos como um mantra de proteção? Ele está na sua porta, você o recita somente ao dormir e acordar, tem uma Bíblia na prateleira aberta naquele capítulo, e nunca a muda, pois aquele versículo é “poderoso”. Não devemos tratar a Bíblia como um objeto místico. Não é um livro de feitiço em que você repete as ações que estão lá para que os textos e coisas aconteçam. A Bíblia não é um superlivro, e precisamos parar de aliar a vontade de Deus a ações reiteradas de falsa fé para realizar nossas vontades sem entrega e sacrifício. Martinho Lutero disse: “O misticismo pode levar as pessoas a se afastarem da verdadeira fé, buscando experiências sensacionais em vez de se apegarem à verdade revelada nas Escrituras.” Agostinho de Hipona afirmou: “O misticismo muitas vezes leva as pessoas a perderem de vista o verdadeiro ensino da fé cristã, substituindo-o por práticas e crenças subjetivas e não fundamentadas nas Escrituras.”

Não digo que atos proféticos não existam, como o derramamento de óleo e outros rituais usados nas igrejas. Entretanto, trazer aspectos de outras religiões, como más energias, mantras de proteção e cânticos que prometem prosperidade, não faz parte da nossa fé. Utilizá-las é de tal modo assustador e perigoso para as igrejas. Atrelar a espiritualidade e apoiar nossa fé no que Deus não disse, no que não está escrito, enfraquece nossa fé e nos leva ao caminho da idolatria e religiosidade, podendo fazer-nos perder a verdadeira essência do evangelho. “Os atos proféticos são expressões tangíveis de fé e obediência, que prenunciam e lançam as bases para a manifestação dos planos de Deus.” – Cindy Jacobs. Dito isso, como você tem utilizado a sua fé?

Sejamos, então, estudantes da sã doutrina, para que não nos percamos do caminho da verdade. Ao atribuir características do mundo a nossos cultos, deixamos corromper a vontade de Cristo para nossas vidas. Por isso, devemos repousar nas Escrituras, que são nosso manual de fé e prática, e reavaliar no que estamos crendo e em que estamos depositando a nossa fé.

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sou natanael

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Sou escritor e apaixonado por transformar ideias e sentimentos em palavras. Neste espaço, compartilho textos que exploram emoções, conflitos e histórias do cotidiano de forma simples e intensa. Aqui, a escrita é um convite para sentir, refletir e se conectar.

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