
Os apóstolos e líderes da igreja primitiva apontavam entre eles uma prática que se mostrava recorrente desde os tempos de Gênesis: a apostasia, que seria, de maneira simples, abandonar a fé. Os apóstolos também levantaram críticas e incitaram a preocupação do povo, mostrando que, com o passar do tempo, essa prática se tornaria mais comum. “O Espírito diz claramente que, nos últimos tempos, alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento e o consumo de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade” (1 Timóteo 4:1-3). Como já sabemos, com a internet e seus benefícios e malefícios, tornou-se comum ouvir o que a Bíblia chama de “falsos profetas” e “amantes de si mesmos”, criando, assim, no meio cristão, ideologias e vertentes que se mostram abominações quando vistas à luz das Escrituras.
O termo apostasia na Bíblia não está somente ligado ao abandono da fé, mas também, muitas vezes, à corrupção da mesma. “As que caíram sobre as pedras são aqueles que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz. Creem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação” (Lucas 8:13). “Alguma nação já trocou os seus deuses? E eles nem sequer são deuses! Mas o meu povo trocou a sua glória por deuses inúteis. Espantem-se diante disso, ó céus! Fiquem horrorizados e abismados, diz o Senhor” (Jeremias 2:11-12).
A Bíblia não só nos mostra o que seria a apostasia e o que ela traria, mas também nos revela o quão dura é para aquele que cai, declarando que aquele que deixa a fé, ao se reconciliar, é semelhante a crucificar o Messias novamente. “Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia, virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição. Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, chegando até a assentar-se no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus” (2 Tessalonicenses 2:3-4).
Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, mas caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois, para si, estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública (Hebreus 6:4-6).
Judas, um dos apóstolos e irmão de Jesus, diz em sua carta acerca daqueles que se infiltraram no meio da igreja e estavam, de alguma forma, influenciando os fiéis. Por meio da carta, Judas escreve o quão importante era que eles lutassem pela sua fé: “Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos.”
Não podemos nos trancar em nossas casas, evitar contato com pessoas ou viver eternamente protegidos de qualquer outra forma de pensamento, pois não é isso o que Cristo nos propõe. Ao invés disso, a proposta que Judas faz é de lutar e se fortalecer nas santas Escrituras, pois, assim como naquela circunstância, o inimigo pode estar dentro do nosso local de culto, e, às vezes, ele tem a palavra. Oração, consagração e leitura da Sagrada Escritura são as principais formas de vencer a apostasia.

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